A Blizzard não esperou o fim de semana da BlizzCon 2026 para soltar a bomba. Na cerimônia de abertura, em Anaheim, o estúdio confirmou Diablo V como o próximo capítulo principal da série — e fez isso virando de cabeça para baixo a premissa que a franquia carrega desde 1996.
Desta vez, o mal já ganhou.
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O teaser apresentado no palco mostra um Santuário em ruínas, anjos derrotados e o Senhor do Terror no comando. A frase que a própria Blizzard repetiu no material oficial é direta o suficiente para dispensar rodeio: “Santuário sucumbiu. Diablo venceu.” Em vez de mais uma corrida para impedir o fim do mundo, o jogo parte das consequências. Os heróis falharam. O Inferno ocupou o território. Cabe ao jogador sobreviver no que sobrou.
É o tipo de virada que a série quase nunca se permitiu. Em Diablo, Diablo II, III e IV, o jogador sempre chegou a tempo — ou pelo menos a tempo o bastante para empurrar o apocalipse de volta para baixo do tapete. Aqui, o tapete já pegou fogo.
Um século depois de Diablo IV
O novo jogo se passa cerca de cem anos após os eventos de Diablo IV. Westmarch aparece no centro dessa nova era: Diablo governa a partir do trono da cidade e usa gente e almas como peça no Conflito Eterno. O tom do teaser é pesado, cinematográfico e propositalmente seco. Pouca exposição. Muita cinza.
Detalhes de campanha ainda são escassos, o que faz sentido. O projeto está em estágio inicial. O que a Blizzard quis deixar claro neste primeiro contato é o recorte narrativo, não o build de personagem da semana.
Ainda assim, o painel Diablo V: Forjando a Nova Era (ou Forging the Next Era, no original) avançou um pouco além do trailer. A equipe de desenvolvimento subiu ao palco para falar de mundo, classes e da ideia de construir um Santuário que já perdeu a guerra.
Três classes saíram do painel. Duas são retornos conhecidos de Diablo III: o Caçador de Demônios e o Monge. A terceira é inédita, o Cavaleiro da Praga (Plague Knight), pensado em torno de espalhar doença e depois consumi-la como fonte de poder. A Blizzard também afirmou que pretende levar ao lançamento mais classes do que qualquer Diablo anterior — promessa grande, feita com três anos de folga no calendário.
Há ainda um aceno claro para quem nunca fez as pazes com a itemização mais recente da série. O estúdio falou em equipamentos com requisito de atributo, itens grandes ocupando mais espaço no inventário e o retorno de runas, palavras rúnicas e sets, com Diablo II como referência. Em bom português: querem que o loot volte a ser legível e memorável, não só um número subindo na tela.
Plataformas, por enquanto, não foram confirmadas.
2029 está longe. E a Blizzard sabe disso
A janela anunciada é a primavera de 2029 no hemisfério norte. Traduzindo para o calendário brasileiro, estamos falando do outono daquele ano. É uma data cedo demais para convencer e tarde demais para acalmar quem queria novidade jogável ontem. A própria equipe admitiu que o jogo ainda está no começo e que, a partir de 2027, pretende soltar atualizações regulares sobre o andamento.
Quem acompanhou o caminho de Diablo IV — anunciado em 2019, lançado em 2023 — já sabe o que esse tipo de folga no cronograma costuma significar. Pode ser maturidade. Pode ser folga para o projeto respirar. Pode ser as duas coisas.
O anúncio também cai no ano em que a franquia completa três décadas. Desde o original de 1996, Diablo passou de 130 milhões de jogadores no mundo. A Blizzard usou a BlizzCon para olhar para frente e, ao mesmo tempo, lembrar que Diablo IV continua na ativa, com temporada nova e outros planos paralelos. Tem até série animada em desenvolvimento com a Netflix, anunciada no mesmo fim de semana. O V, no entanto, é o recado principal: a próxima geração da série não vai repetir o mesmo ciclo de “impedir o fim”.
O fim já aconteceu. Agora o estúdio quer saber o que o jogador se torna quando o mundo já caiu.
Por enquanto, o que existe é um teaser, um recorte de lore ousado, três classes e uma data no horizonte. Pouco para quem quer build. Bastante para quem só queria saber se ainda havia um Diablo grande no forno.