Em uma entrevista que já está repercutindo forte nos bastidores da indústria, Chris Hays, programador ainda ativo na id Software — o lendário estúdio por trás de DOOM e Quake — resolveu jogar a bomba. Sem papas na língua, o desenvolvedor criticou duramente a Microsoft e o Game Pass, afirmando que a empresa “não compreende o que é arte” e que teria, nas palavras dele, “destruído” o estúdio.
Mas o caldo entornou de vez quando Hays apontou o dedo para o Game Pass, o serviço de assinatura que é a menina dos olhos da Xbox.
Conheça a XGamestore e economize até 70% nos jogos de Xbox.
A contradição do Game Pass: vender ou assinar?
A crítica de Hays tem um alvo bem específico: a contradição no modelo de negócios atual. Como a id Software pertence à Bethesda, que por sua vez é propriedade da Microsoft, todos os lançamentos do estúdio chegam ao Game Pass no dia zero. Na prática, isso significa que uma parcela enorme dos jogadores de Xbox e PC pode acessar os títulos sem precisar desembolsar R$ 300 ou mais por uma cópia.
E é exatamente aí que mora o problema, segundo o programador.
Para Hays, essa estratégia torna praticamente impossível interpretar os números de vendas tradicionais — os mesmos que a Microsoft ainda usa para avaliar o desempenho comercial dos estúdios. É o velho dilema do “ter o bolo e comer também”: a empresa incentiva o consumo via assinatura, mas continua cobrando resultados como se estivesse vendendo unidades físicas ou digitais.
“Eu sei que a id Software tem sérios problemas com a forma como o Game Pass é administrado”, disparou Hays. O desenvolvedor foi além e questionou o próprio conceito de “venda” num ecossistema dominado por assinaturas:
“Sempre que vemos os relatórios financeiros dizendo que houve vendas fracas sob a Bethesda, eu penso: o que é uma venda? Se um jogador tem Game Pass e acessa o jogo sem comprá-lo separadamente, isso naturalmente reduz a quantidade de unidades vendidas. Usar apenas esse indicador para avaliar o desempenho comercial não reflete a realidade.”
“Xbox não trabalha com modelo baseado em vendas”
Hays resumiu sua crítica com uma pontada de ironia: “Se você tem o Game Pass, está dizendo que vendas fracas significam um baixo número de jogos vendidos? É claro que sim. O Xbox não está trabalhando com um modelo de negócios baseado em ‘jogos vendidos’.”
A fala do desenvolvedor expõe um dilema que já vem rondando a indústria há algum tempo: como medir o sucesso de um jogo que está disponível em um serviço de assinatura desde o lançamento? Para Hays, a Microsoft quer os benefícios do streaming e da assinatura, mas ainda avalia seus estúdios com a régua de uma era que não existe mais.
O que fica claro é que, por trás das portas fechadas da id Software e de outros estúdios da Bethesda, a insatisfação com o modelo do Game Pass é real — e pelo visto, não são poucos os que pensam como Hays.
Fonte: Kotaku